quinta-feira, 22 de junho de 2023

 O INSETO


Sobre a superfície líquida

Está ele a se debater

Lutando contra a morte

Apenas querendo viver

Toda sua luta é em vão

Seu corpo oscila

Como se parte fizesse

Daquelas oscilações

Criadas pelos pingos

Que intermitentemente

Sobre aquela superfície

Unia-se

E agora acho que morto jaz

Sobre a superfície líquida

E seu corpo baila

Para lá e para cá

Como determinam aquelas oscilações

Mas vejo que volta

A se debater como se

Da vida não tivesse

Ainda desistido

-O que será que se passava àquele momento

nàquela mente de inseto?

-Uma simples vontade

De desistir da vida ou

Uma simples vontade

De descansar

Para recuperar o fôlego

Que já parecia ser pouco?

Não! desistir da vida não

Os insetos não têm amor pela vida

Mas devem saber

O bastante sobre ela

Para preferir-la , peregrina-la

Em revés a morte

Continuo contemplando aquela superfície líquida

E vejo.

Ele seguindo curso retilíneo

Não uniforme

Tanto por sua força ao se debater (nadar)

Outros tantos

Pelas aquelas oscilações intermitentes

Então o inseto entra

No que para mim

Era um lugar seguro

Mas para ele

Apenas o reflexo de meu teto

Sobre aquele espelho líquido

Naquele instante

Como se seu instinto

De inseto o guiasse plenamente

Deu tudo de si

E debateu-se (nadou) incessantemente

Rumando firme

Naquela direção que pegara

Como se nela estivesse e estava

A sua própria salvação

Mas o caminho era longo para um inseto

E seu fôlego era pouco

Então sem pensar

Em distância e suprimentos

Nadou... nadou... nadou... nadou...

Até que não mais pode prosseguir

Seu corpo inanimado ficou

Sobre aquelas águas

Que com o corpo

Logo começaram a bailar

Um pra lá , dois pra cá

Dois pra cá , um pra lá

Como se estivessem dançando ao som daqueles pingos

A dança do ciclo vital

Que para o inseto , terminara

De forma líquida , com música e desespero.


Nenel Araujo

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